sexta-feira, 10 de julho de 2009

CULTURA MATERIAL E A REVOLUÇÃO RUSSA




Prof. Lic. Eduardo Melander Filho


Jean-Marie Pesez em seu texto “História da Cultura Material” faz um levantamento da cultura material a partir da instituição da “Academia de História da Cultura Material da URSS” por Vladimir Ilich Ulianov, popularmente chamado de Lênin. O autor nos indica que essa história está ligada extrinsecamente ao modelo evolucionista do século XIX e à necessidade teórica de uma explicação histórica ligada ao conceito de “Luta de Classes”.
Na URSS e em outros países, com a revolução bolchevista em curso, o conceito marxista de “materialismo histórico” de que as construções materiais eram produtos humanos e a relação dialética de transformação material homem/natureza era a ordem evidente, fortaleceu grandemente o movimento em defesa dessa conceitualização.
A arqueologia, que no século anterior se baseava em ser mero instrumento da história das artes, beneficiou-se grandemente na época com o desenvolvimento de concepções afeitas à materialidade dos objetos construídos pelo homem.
O autor, no entanto, faz uma ressalva importante na compreensão de sua teoria: a cultura material não tem utilidade por si mesma, só se revelar também uma utilidade em responder questões de nossa atualidade. Porém concorda, e isso é importante, que a relação entre os homens e os objetos é histórica.
Pesez aborda, a seguir, sobre a importância dos historiadores da “Escola dos Annales” no fortalecimento da idéia de cultura material. Cita: Marc Bloch, que escreveu sobre a paisagem rural; Lucien Fèbvre, que escreveu sobre o solo e o meio ambiente e, principalmente, Fernand Braudel e seus escritos sobre alimentação, todos esses trabalhos sobre a “Idade Média”.
Particularmente, levanto suspeitas sobre o caráter da própria historicidade da escola dos Annales como um todo, no sentido de uma “antropologia sincrônica” (não histórica) travestida de “história de longa duração” (uma história de transformações imperceptíveis). A confusão que a escola faz entre “cultura material” e “história da tecnologia” é desnorteante.
Mais adiante, o autor revela a polêmica ligada ao Instituto de História Natural da Polônia, quando surgiu autocrítica da entidade em relação à cultura material, que foi subestimada exatamente pelos conceitos sociais econômicos marxistas que a moviam, assim como aferiam no momento, crítica a tendência à independência da cultura material em relação às outras disciplinas.
No final do texto, Pesez, finalmente, assume sua real posição: defende, “através da cultura material, as relações sociais e os modos de produção das sociedades do passado”.
A cultura material de Jean-Marie Pesez, o que ele propõe ou defende, evidentemente é historicista por que se baseia nessa interpretação da história. Segundo suas palavras, a cultura material apresenta o interesse de reintroduzir o homem na história através da vivência material.

FONTES:

MELANDER FILHO, Eduardo. Cultura Material e a Revolução Russa. Gazeta de Interlagos, São Paulo, 08 mai 2009 a 21 mai 2009. História, p. 2.

MELANDER FILHO, Eduardo. Cultura Material e a Revolução Russa. Gazeta de Interlagos, São Paulo, 08 mai 2009 a 21 mai 2009. P. 2. Disponível em:

Um comentário:

Sandra Baptista disse...

Olá, Prof.
Sou estudando de História, e teu blog me ajuda muito nas pesquisas! Muito bom mesmo! Obrigada por contribuir tão generosamente com o teu conhecimento!
Abraços
Sandra
www.floraisdodrbach.blogspot.com