quinta-feira, 29 de outubro de 2009

FUNDAMENTOS DO POSITIVISMO

Augusto Comte


Prof. Eduardo Melander Filho

Muitas pessoas leigas e até com formação acadêmica consideram o determinismo como equivalente (igual) ao positivismo. Na verdade, apesar do positivismo poder ser considerado como tal, o determinismo é constituído por uma série de outras doutrinas. Poderíamos dizer então em determinismos (e não apenas um): antropológico; biológico; genético; ambiental (de Skinner) e até teológico. Todas essas variantes podem ser caracterizadas pelo uso extremado das relações de causalidade, sendo que os mais radicais estendem o determinismo da natureza a todas as ações humanas. Kant estabeleceu a distinção entre o determinismo dos fenômenos naturais do livre arbítrio no campo ético, subentendendo que a oposição entre os dois poderia ser interpretada como negação da liberdade.
O positivismo de Augusto Comte, que é o filósofo mais importante dessa corrente no séc. XIX, sofreu influências de Saint Simon e Condorcet (no conceito de progresso). Professa a idéia de ciência como previsão e neutralidade política das ciências, afastando-se da teologia e tomando uma atitude agnóstica em relação à metafísica (considerada fantasia). Afirma o positivo (organizar, agregar, construir) como dados do sentido, excluindo o negativo (contradição), entendendo-o (o positivo) como real, útil, certo, preciso, relativo (se opõe ao absoluto), orgânico (holístico) e simpático (ações humanas são modificadas pelo afeto em oposição ao empático na hermenêutica que se refere à ligação espiritual entre estudioso e objeto de estudo).
Comte concebeu a História da humanidade em três estados (estágios). O primeiro seria o Teológico, considerado fictício. Seria a infância da humanidade, onde as perguntas principais eram: de onde viemos, para onde vamos. O segundo estado seria o Metafísico, já numa fase abstrata. Era a adolescência da humanidade, onde prevaleceriam entidades abstratas como: povo, éter, espírito, etc. Por último, o estado Positivo, estágio adulto, onde a ciência imperaria e não se procuraria mais saber o porquê, mas o como aconteceu.
Tendo como lema: “amor por princípio, ordem por base, progresso por fim”, Comte propõe copiar modelos da biologia para explicar o “organismo social”, definindo o progresso como uma lei da história da humanidade onde, pela ciência, se adquire o conhecimento. É o desenvolvimento da própria ordem. É uma dinâmica com o objetivo de afastar os riscos de convulsão e desordem social.
O conjunto do pensamento comteano caminha em direção ao determinismo dos fatos naturais, admitindo apenas a experiência como única fonte de saber e não se preocupando com as causas primordial (o surgimento do mundo) e final (qual o sentido da existência).
Obviamente que essa tendência a desenvolver conceitos ligados à ordem e estabilidade social, apelando aos princípios de tradição e autoridade, não agradou às correntes revolucionárias de então e atual, sendo o positivismo considerado por elas como reacionário. A caracterização da prática científica como neutra e apolítica também é criticada por quase todas as outras correntes de pensamento, sabedores que somos de que as pesquisas desenvolvidas em qualquer área do conhecimento (verbas são necessárias) dependem de decisão política que ultrapassa o âmbito da vontade do pesquisador (que também é política). Em última análise, são as forças políticas que compõem o Estado que definem o que é necessário ser produzido em termos de conhecimento.

FONTES:

MELANDER FILHO, Eduardo. Fundamentos do Positivismo. Gazeta de Interlagos, São Paulo, 23 out 2009 a 05 nov 2009. História, p. 2.

MELANDER FILHO, Eduardo. Fundamentos do Positivismo. Gazeta de Interlagos, São Paulo, 23 out 2009 a 05 nov 2009. Edição 142, P. 2. Disponível em: <
http://www.gazetadeinterlagos.com.br/>. Acesso em: 29 out 2009.

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